sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Laranja mecânica


"Being the adventures of a young man ... who couldn't resist pretty girls ... or a bit of the old ultra-violence ... went to jail, was re-conditioned ... and came out a different young man ... or was he?

O diretor Michael Haneke fez uma experiência interessante: filmou a mesma história sobre violência com um intervalo de 10 anos entre elas (1998-2008) para mensurar o impacto da violência nas gerações de duas décadas diferentes e subsequentes (Violência gratuita). Não sei os resultados práticos da experiência, apesar de ter gostado muito da angustiante segunda versão, mas quando se trata de violência cinematográfica o que nos vem à mente é Laranja mecânica.

O filme do cultuado Stanley Kubrick (1928-1999), baseado no livro homônimo de Anthony Burgess, trata de um futuro distópico povoado de gangues ultraviolentas que cometem barbáries embaladas por goles e goles de moloko (sim, a banda moderninha se inspirou na bebida que parece/é leite). O começo do filme é arrebatador, com o outrora grande astro Michael McDowell (
Calígua, A marca da pantera), personificando Alex DeLarge, líder de uma gangue que usa várias referências à várias outras reais nas vestimentas (o chapéu coco de uma, o suporte atlético de outra, coturnos). Alex gosta de arruaças, de estupros, e de espancar pessoas indefesas (um bêbado e um paraplégico) cantando "Singing in the rain", aquela mesma canção do filme homônimo de 1952 que é sinônimo da Era de Ouro do cinema, com a famosa cena de Genne Kelly, ahn, bem, cantando na chuva (motivo para um post clássico).

Kubrick é mestre em vincular a narrativa à uma trilha destoante, como a bela nona sinfonia, a predileta de Alex, que embala as noites de arruaça; sequências ultraviolentas (e belas!) ao som de Bethoven, como bem reparou Inácio Araújo. A obra tem um tom niilista e é na verdade um ensaio sobre a violência, como surge, de onde vem, para onde vai e o que a sociedade organizada acha dela. Para quem não assistiu, os erros de continuidade nas cenas são propositais, apenas para aumentar a desorientação sensorial do espectador.

A canção deste
post
entrou curiosamente nas cenas porque era a única que o protagonista sabia cantar inteira (!). Nos anos 70, assim que foi lançado nos cinemas as cenas de nudez do filme eram cobertas com bolinhas pretas ridículas que acompanhavam os movimentos dos corpos. O filme foi censurado em vários países que não perceberam sua intenção de discussão do tema e não de apologia. O autor do livro criou uma língua nova, uma mistura de inglês com russo e gírias para dar mais veracidade à preocupação que tinha com o crescimento da delinquência juvenil e paralelamente dos métodos behavioristas que disseminavam entre a comunidade médica como possível tratamento.

O livro teve a finalidade de expor vários tipos de violência (praticadas pelo cidadão ou pelo Estado) para se firmar como um libelo pelo livre-arbítrio. Além disso, o filme é um referencial básico da cultura pop: serviu de sinônimo ao futebol eficiente jogado pela seleção da Holanda de 1974 (que usava camisas laranja e tinha um futebol revolucionário); teve Bart Simpson vestido de Alex em um episódio e até virou boneco; virou um álbum conceitual do Sepultura (A-lex) etc. Para quem quiser ver a versão integral das barbaridades da turma desde o início; aqui.


LARANJA MECÂNICA (A clockwork orange, 1971)
Diretor: Stanley Kubrick
Elenco: Malcolm McDowell
Trilha Tradução Trailer

Du Du Du Du Du Du Du Du Du
Du Du Du Du Du Du Du Du Du

I´m singin´ in the rain
Just singin´ in the rain,
What a glorious feeling,
And I´m happy again.

I´m laughing at clouds
So dark, up above,
The sun´s in my heart
And I´m ready for love.
Let the stormy clouds chase.
Everyone from the place,
Come on with the rain
I have a smile on my face.

I´ll walk down the lane
With a happy refrain
Just singin', singin' in the rain.
Dancing in the rain.
I'm happy again.
I'm singin' and dancin'
in the rain.
Dancin' and singin' in the rain.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Filadélfia


"No one would take on his case... until one man was willing to take on the system"

Hoje é o Dia Mundial de Combate à AIDS. Esta doença, que apareceu em plena década de 1980, tornou-se emblemática mais pelo fato de seus portadores serem discriminados em pleno século XX do que por sua existência em si.
Como todos sabemos os homossexuais foram considerados culpados por estarem doentes, pois a enfermidade seria uma praga divina que os puniria pelo tipo de vida não católica que levavam. Quando as primeiras mulheres casadas heterossexuais apareceram contaminadas por seus maridos, também heteros, a história começou a mudar.

Hollywood é um âmbito democrata, liberal e não ficou de fora da grita geral contra o descalabro das forças do mal; sim, isso mesmo, forças do mal. O tapa na cara veio não somente com um filme sobre o tema, mas com o Oscar para a interpretação de Tom Hanks que, imitando James Stewart, recebeu a primeira estatueta de duas estatuetas seguidas; no ano seguinte enfeitou sua estante com Forest Gump. O terceiro escapou de suas mãos quando foi indicado por Náufrago (2000).
Uma canção do filme ganhou o Oscar, "Streets of Philadelphia", com Bruce Springsteen. Sinceramente quem conhece a trilha sabe que "Philadelphia", a composição homônima de Neil Young era bem melhor (eu, pelo menos, acho). Ah, ambas foram indicadas. Mas um prêmio para the boss reforçaria a intenção do filme. A trilha em um todo é muito boa.

No filme Tom Hanks é um advogado homossexual não assumido que, trabalhando em um escritório de advocacia mais do que conservador, tem sua vida revirada quando começa a sofrer os primeiros sintomas da doença. Como prêmio aos anos de dedicação é demitido e contrata o único advogado que encontrou para defendê-lo, Denzel Washington (como sempre não menos que perfeito). Este deveria desde o início saber o que é ser discriminado, mas é um homofóbico que precisa aceitar o caso devido à sua situação financeira.

A cena em destaque foi a utilizada na cerimônia de premiação, quando cada ator tem sua melhor cena mostrada para todos. É a cena em que Tom Hanks chora em seu apartamento ao som da soprano Maria Callas (1923-1977) enquanto ao fundo Denzel chora comovido com o sofrimento do personagem, abandonado no momento mais difícil de sua vida. O que o ótimo, mas bissexto diretor Jonathan Demme (Silêncio dos inocentes) queria era expor o drama dos portadores por meio da sétima arte perante o mundo conservador - representado no papel de Denzel. Realmente o momento é comovente.

Tom Hanks perdeu vários quilos para interpretar o papel. Geralmente filmes são feitos sem a sequência real das cenas, conforme a conveniência, mas o diretor preferiu acompanhar o "definhamento" do ator e seu envolvimento com o papel para dar mais veracidade e impacto. As músicas das cenas costumam ser inseridas apenas na edição final e não "tocadas" nas filmagens, mas esta cena foi uma exceção. O resultado é que esta é uma das mais queridas cenas de quem gosta de cinema. Basta dizer que em 1954, Maria Callas, em uma apresentação foi aplaudida 23 vezes e o final teve uma ovação de 23 minutos. A ópera não é o gênero mais fácil de assimilação, e esta foi outra barreira levemente rompida pelo filme. Este blog acha deplorável qualquer tipo de discriminação. E sabe que seus leitores também.

FILADÉLFIA (Philadelphia, 1993)
Diretor: Jonathan Demme
Elenco: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas
La mamma morta m'hanno
alla porta della stanza mia;
Moriva e mi salvava!
poi a notte alta
io con Bersi errava,
quando ad un tratto
un livido bagliore guizza
e rischiara innanzi a' passi miei
la cupa via!
Guardo!
Bruciava il loco di mia culla!
Cosi fui sola!
E intorno il nulla!
Fame e miseria!
Il bisogno, il periglio!
Caddi malata,
e Bersi, buona e pura,
di sua bellezza ha fatto un mercato,
un contratto per me!
Porto sventura a chi bene mi vuole!
Fu in quel dolore
che a me venne l'amor!
Voce piena d'armonia e dice:
"Vivi ancora! Io son la vita!
Ne' miei occhi e il tuo cielo!
Tu non sei sola!
Le lacrime tue io le raccolgo!
Io sto sul tuo cammino e ti sorreggo!
Sorridi e spera! Io son l'amore!
Tutto intorno e sangue e fango?
Io son divino! Io son l'oblio!
Io sono il dio che sovra il mondo
scendo da l'empireo, fa della terra
un ciel! Ah!
Io son l'amore, io son l'amor, l'amor"
E l'angelo si accosta, bacia,
e vi bacia la morte!
Corpo di moribonda e il corpo mio.
Prendilo dunque.
Io son gia morta cosa!

sábado, 28 de novembro de 2009

Um lugar chamado Notting Hill



"Can the most famous film star in the world fall for just an ordinary guy?"

Existem poucas garantias tão sérias na vida quanto a de que um filme britânico terá uma trilha sonora bacana. Se for uma comédia romântica bem feita como este "Notting Hill" então...
A história gira em torno de um pacato dono de pequena livraria (Hugh Grant) que em sua vida comedida e tranquila nunca ouviu falar da estrela Anna Scott (Julia Roberts). Já esta fica surpresa por ao entrar na livraria disfarçada e encontrar (e flertar) com alguém que não faz idéia de quem é. Essa possibilidade cria toda uma fantasia a qual no desenrolar do filme trará algumas risadas e reviravoltas até o final feliz.

O mérito do filme, além da trilha e dos atores e coadjuvantes que estão confortáveis em cena, deve ser dividido também com o roteirista do filme, Richard Curtis. Provavelmente quem gosta de "Notting Hill" também vê com satisfação "Quatro casamentos e um funeral" que ele também escreveu e "Simplesmente amor", o qual dirigiu. Todos com Hugh Grant, um ator que apesar do revés que levou na vida, soube encontrar seu nicho e conduzir dignamente sua carreira.

Engraçado. Não é a primeira vez que brincam com a "celebridade" Julia Roberts em filme. Em "12 homens e outro segredo" existe uma cena metalinguística engraçada a respeito, com Bruce Willis, onde o careca faz papel dele mesmo e pensa que Roberts é realmente a atriz. Neste site mesmo já tratamos de algo parecido.

Mas o que importa aqui é aquela cena daquela música, neste que é seu menor e mais simpático filme. Para quem não reparou, a história começa com "She", mas na interpretação magnífica da lenda viva francesa Charles Aznavour, (aqui, legendado). "She", na verdade é "Tous les visages de l'amour", a versão original francesa de Aznavour lançada em 1974 e que de tão famosa gerou, meses depois, a versão em inglês que tantas noivas adoram adentrar às igrejas no dia mais feliz de suas vidas.

Ao final do filme, quando os nós são desatados, quando Julia Roberts abre seu magnífico e zilionário sorriso da forma mais bonita e tranquila que já apareceu nas telas, sobe o BG com a versão que Elvis Costello para a música, regravada especialmente para o filme. Com certeza o músico foi escolhido devido à sua grande extensão vocal.

Quem viu o filme sabe que em um momento, quando passeavam à noite pelos subúrbios, o casal protagonista encontra uma casa linda, pulam o muro e ficam pensando como seria magnífico uma família morar naquele local. Na cena da música, claro, eles conseguem a casa. Enquanto a música entra em sua segunda parte, um longo travelling mostra todos os seus amigos, os filhos de seus amigos correm pelo gramado, cachorros pulando, brincadeiras sorrisos e... o casal, sentado no banco de jardim no qual haviam sonhado aquela realidade. Um final um pouco parecido com outro filme de Grant, "Um grande garoto", outro filme inglês baseado no livro do meu ídolo, Nick Hornby.

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UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill, 1999)
Diretor: Roger Michell
Elenco: Julia Roberts, Hugh Grant
Trilha Tradução Trailer

She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.
She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I'll remember till the day I die
She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, she, she

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Final da Promoção

E os vencedores da Promoção de lançamento do site são:

CIDADE DOS ANJOS
Evelyn Machado

ESCOLA DE ROCK
Leticia Slemer

FOREST GUMP
Roberta Cardoso da Costa Cirne

GOONIES, OS
Erica Yumi

DVD SURPRESA
@ticasa (100ª seguidora juntando-se os membros do Twitter

Obrigado a todos os que participaram deste começo comigo, colaborando com suas cenas prediletas. Aos poucos elas serão resenhadas como um banco de dados deste assunto fascinante e inesgotável. O site já ganhou um selo do VejaBlog e continua bem bacana e queremos que sua participação não se encerre por aqui. Participe com comentários ou mesmo sugestões que você acha péssimas (sim, não vou falar necessariamente bem).

Obrigado

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lado a lado



"Be there for the joy. Be there for the tears. Be there for each other."


Hmmm. Eu pararia de ler por aqui se você você e nunca tivesse assistido a este filme. Dito isso, vamos lá: Chris Columbus é um diretor quadradão. Quando se pensa em "cinema de autor" é o típico nome que NÃO nos vem à memória.
Para se ter uma idéia de sua filmografia, o pontapé inicial na cinessérie mundial Harry Potter foi dado por ele nos dois primeiros filmes, mas aposto que o seu preferido é o Prisioneiro de Askaban, justamente o primeiro filme feito após o bastão ser passado por Columbus. Com sucesso, claro, mas sem notoriedade.

Em 1998, no entanto, Columbus dirigiu este Lado a lado (Stepmom), drama em que Susan Sarandon descobre ser portadora de um câncer terminal e tem de "repassar" toda a sua vida (filhos, no caso) para a atual mulher de seu já "repassado" ex-marido (Julia Roberts e Ed Harris). Deu para entender o conflito pessoal da protagonista em seus últimos momentos? Poderia ser mais um daqueles filmes de "doença da semana", mas, principalmente o acerto na escolha do elenco (todos mesmo), torna tudo muito interessante.

A canção "Ain't No Mountain High Enough" aparece em mais de uma cena do filme. A comovente cena final, após a última frase do filme ("Agora uma foto com a família inteira... Isabel?) mostra um momento de alegria antes da tragédia que se abaterá. Mas este post é de quando a canção é entoada primeiramente, nesta cena, exatamente no momento em que a estupenda Sarandon tem uma conversa comovente com seus dois filhos sobre seus futuros às vésperas do Natal.

Para demonstrar a força que deverão ter quando partir, coloca um vinil (claro) de "Ain´t no mountain high enough". Vou dizer uma coisa: é dificílimo chegar até esta cena e não se emocionar. A notável atriz parece sente na pele o drama de sua personagem. As crianças também foram muito bem escolhidas para o papel (onde andariam?).


Quanto à música, basta dizer que é uma canção "pra cima", alto astral, pontuada inicialmente por um baixo (e xilofone?) emocionante e entoada majestosamente por Marvin Gaye e Tammi Terrell da melhor fase da mítica gravadora Motown. Observe, se nunca assistiu ao filme, como fica quase impossível assistir ao filme sem se colocar no lugar de um dos personagens (catártico; totalmente antibrechtiano) ou de repensar se as atitudes que tomamos seriam as mesmas caso tivéssemos um vislumbre do porvir. Para o bem ou para o mal. O filme foi feito como homenagem à mãe do diretor, que realmente faleceu da doença.


Lado a Lado (Stepmom, 1998)
Direção: Chris Columbus Elenco: Susan Sarandon, Julia Roberts, Ed Harris
Trilha Tradução

If you need me call me
No matter where you are,
No matter how far,
don't worry baby
Just call out my name
I'll be there in a hurry
You don´t need to worry

Chorus:

'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you, baby

Remember the day I set you free
I told you could always count on me, darling
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Someway, somehow

Chorus:

'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you, baby

No wind, no rain Or winter's cold
Can't stop me baby. Oooo baby
'Cause you are my goal
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just send for me, baby
Send for me ooo baby

My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
Just as fast as I can

Chorus:

Don't you know that
They're ain't no mountain high enough,
Ain't no valley low enough,
Ain't no river wide enough,
To keep me from getting to you babe
Listen baby, you know that
There ain´t no mountain high ,ain´t no valley low,
Ain´t no river wide enough baby

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ao mestre com carinho




"A story as fresh as the girls in their minis. . .and as tough as the kids from London's East End!"

Sabe aqueles filmes que você assiste em que um professor chega para lecionar em uma localidade barra pesada, é hostilizado e ao final consegue incutir valores mais positivos nos alunos? Pois é, esse subgênero dentro da sétima arte teve seu start principal com este fabuloso filme britânico Ao mestre com carinho. Só de mencionar o legado deste filme de 1967 nos vêm à cabeça, Mentes perigosas, com Michelle Pfeiffer, O sorriso de Monalisa, com Julia Roberts, O substituto, com Tom Berenger e um ótimo e desconhecido Treino para a vida, com Morgan Freeman no papel principal (imagina!).

Neste filme o eterno Sidney Poitier é um engenheiro desempregado que, para levantar seu sustento, começa a lecionar em uma escola da periferia de Londres. Lá ele encontra alunos nada dispostos a aprender qualquer coisa que seja. Mesmo prometendo não perder a paciência, chega uma hora em que não aguenta, rasga os livros e fala que irá prepará-los para a vida. Drogas, aborto, casamento e toda uma base extra-curricular.
E a partir daí a coisa muda muito, como pode ser visto na homenagem que os alunos prestam ao mestre na cena final. Ou melhor, a cena anterior à grande decisão que tomará em sua vida.

O filme fez um tremendo sucesso no Reino Unido e também nos EUA. Quando pesquisado o motivo do grande sucesso feito nas terras do Tio Sam a resposta foi uma só: Sidney Poitier. O ator tinha tanta simpatia entre os norte-americanos que foi historicamente o primeiro ator negro a ganhar um Oscar como ator principal. Digo como principal, porque como coadjuvante Hattie McDaniell já havia ganho pela empregada de E o vento levou (1939). Ganhou mas não pôde comparecer à cerimônia pois tinha um "defeito" gigantesco. Era negra.
Quando Poitier ganhou sua estatueta por Uma voz nas sombras (1963) parecia que muita coisa havia mudado para os negros, mas como comprovou-se nos Oscars posteriores para Denzel Washington e Halle Berry somente no século XXI, ainda falta muita coisa. Ah, só para lembrar, Morgan Freeman NUNCA foi considerado melhor ator principal em um filme.

Na cena em destaque o mestre recebe um presente dos alunos embalado pela canção
To sir, with love,
embalado pela voz doce da one hit wonder Lulu enquanto alguns alunos rebeldes tocam ao vivo. O single chegou ao primeiro lugar na parada da Billboard impulsionado pelo sucesso do filme. Também tem uma versão es-pe-ta-cu-lar com Natalie Merchant, ex vocal do 10.000 maniacs com Michael Stipe, do R.E.M, vale a pena ver.
É uma balada doce com uma letra que louva as virtudes de quem tem por profissão ensinar. No filme, Poitier vira do avesso a máxima que diz que a vida é uma escola: quem já viveu muito já sabe: na escola você aprende e depois é posto à prova. Na vida você é posto à prova. Depois aprende.


AO MESTRE COM CARINHO (To sir with love, 1967)
Direção: James Clavell
Elenco: Sidney Poitier, Lulu, Christian Roberts
Trilha Tradução Trailer

Those schoolgirl days of telling tales
and biting nails are gone.
But in my mind
I know they will still
live on and on.

But how do
you thank someone
who has taken you from
crayons to perfume?
It isn't easy, but I'll try.

If you wanted the sky I would write
across the sky in letters
that would soar a thousand feet high,
'To Sir, With Love'.

The time has come
for closing books and
long last looks must end.

And as I leave I know that I am leaving
my best friend.
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong,
that's a lot to learn.
What what can I give you in return?

If you wanted the moon
I would try to make a start.
But I would rather you let me give my heart
To sir with love



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Será que ele é?



"An out-and-out comedy"

Assisto a cerimônia do Oscar todo ano. Lembro-me que quando Tom Hanks ganhou o seu por Filadelfia, agradeceu a um antigo professor secundário que o auxiliou muito. Só que na hora disse abertamente que o mestre era homossexual. Normal. Mas daí pensei na hora: e se mais ninguém soubesse que ele era?
Pois, por incrível que pareça, o diretor Frank Oz também pensou isso e resolveu fazer uma história em que um professor de uma cidadezinha teria de provar sua heterossexualidade depois da declaração desastrada de um aluno (o ator bissexto Matt Dilon). Para a empreitada chamou o então o ótimo Kevin Kline, Oscar de ator coadjuvante em 1988 por Um peixe chamado Wanda. O mais hilário é que o professor nunca havia se questionado. Até aquele momento.

Atormentado por dúvidas sexuais e torturado principalmente por sua noiva (Joan Cusak) o coitado faz de tudo para demonstrar que é a testosterona que manda na sua libido. E como toda pessoa que necessita de ajuda mas não vaia um analista, resolve comprar uma fita cassete (lembra-se?) de auto ajuda, claro. E é da cena em que um hilário instrutor conversa com o ator que falaremos. Depois de ensiná-lo a chegar como homem em um bar vem o teste final: como homem que é homem não dança (aka Nelson Rodrigues), nosso herói terá de ficar firme e forte ao som de I will survive, de Gloria Gainor. Mesmo o hetero mais ortodoxo sabe como é difícil não bater nem o pé quando entram todos os instrumentos da canção. Ou quando a música é selecionada em um videokê. Kevin Kline cai na balada e requebra a seu jeito para desespero do interlocutor da fita K7. E para o riso de quem vê a cena. A idéia do filme é ser um porta-voz divertido da tolerância de todo tipo. Isso em tempos de jovens como os da UNIBANdo de animais não é pouco. Mas se quiser apenas descontrair-se vamos dizer apenas que é uma excelente comédia com conteúdo.

A canção é uma daquelas que cresceu com o tempo. Foi lançada em 1978, em plena era disco, pela diva Glooria Gainor como b-side de um compacto em que o lado A era uma canção dos Righteous Brothers (cantores originais do tema de Ghost). Bom, a canção "Substitue" ficou em 107º na parada da Billboard. Já "I will..." chegou ao primeiro lugar com a colaboração de Djs do planeta inteiro que viam a pista ferver quando era tocada. A lista de filmes em que aparece é imensa: Priscila, a rainha do deserto,Homens de preto, Quatro casamentos e um funeral, Dr. Doolitle2 etc. Também é recordista de paródias, chegando a ter uma hilária versão em português.

Curiosidades: o elenco do filme canta "Macho man", outro hino gay ao final dos créditos. O eterno machão Tom Selleck, de Magnum tem um papel importante no filme. O Cake (melhor cover group do mundo) gravou em 1994 uma versão beeeeeem bacana que chegou a tocar no finado Hollywood Rock no Brasil com Flea, dos Chilli Peppers no trompete.


SERÁ QUE ELE É? (In&Out, 1997)
Diretor: Frank Oz
Elenco: Kevin Kline, Tom Selleck, Matt Dilon
Trilha Tradução ..mais

At first I was afraid
I was petrified
I kept thinking I could never live without you
By my side
But then I spent so many nights
Just thinking how you've done me wrong
I grew strong
And I learned how to get along
And so you're back

From other space
I just walked in to find you
Here with that sad look upon your face
I should've changed my fucking lock
I would've made you leave your key
If I had known for just one second
You'd be back to bother me
Go, now go,
Walk out the door
Just turn around
Now, you're not welcome anymore
Weren't you the one
Who tried to break me with desire?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh no not I,
I will survive
Yeah
As Long as I know how to love,
I know I'll be alive
I've got all my life to live
I've got all my love to give
I will survive,
I will survive
Yeah, yeah

It took all the strength I had
Just not to fall apart
I'm trying hard to mend the pieces
Of my broken heart
And I spent oh so many nights
Just feeling sorry for myself
I used to cry,
But now I hold my head up high
And you see me
With somebody new
I'm not that stupid little person
Still in love with you
And so you thought you'd just drop by
And you expect me to be free
But now I'm saving all my lovin'
For someone who is lovin' me
Go, now go,
Walk out the door
Just turn around
Now, you're not welcome anymore
Weren't you the one
Who tried to break me with desire?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh not I,
I will survive
Yeah
As long as I know how to love,
I know I'll be alive
I've got all my life to live
I've got all my love to give
I will survive,
I will survive
Yeah, yeah
Oh no

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

De repente 30



"For some, 13 feels like it was just yesterday. For Jenna, it was."

Talvez você tenha se perguntado nos dias próximos da morte de Michael Jackson se sua importância não estaria supervalorizada. Afinal de contas, talvez nem enxergue a importância do astro nos dias de hoje - mesmo gostando de, por exemplo, Justin Timberlake.
Mas basta uma olhada na cena selecionada para relembrar e comprovar sua importância. A cena é do filme De repente 30, filme de 2004 que trata de um velho subgênero do cinema americano: a "troca" de corpos entre duas pessoas. Uma passada rápida pela memória e já nos vem à mente alguns filmes como Sexta-Feira muito louca, Vice e versa, 17 outra vez, ou a nova série da Sony, Drop Dead Diva. Sempre com a lição de moral de que sempre devemos nos conformar com o que somos e o que temos.

No filme a adolescente Jenna Rink, de 13 anos, está cansada de sua rotina loser e gostaria de ser adulta, pois a maioridade é muuuito melhor. E consegue. Torna-se então milagrosamente uma adulta, personificada no corpo da gracinha Jennifer Gardner, atriz revelada no eletrizante seriado Alias, e casada com o sortudo boa-praça de Hollywood, Ben Aflleck.
Na cena do filme, Jennifer está na festa de lançamento de uma revista (acho) e está rolando um som meio lounge bem entediante. E a festa é aquela coisa que conhecemos: poses, olhares blasè, muita pretensão e chatice. É quando Jenna decide colocar um som que estava ouvindo até ontem - no caso, "ontem" ela estava com 13 anos. O som é "Thriller", de Michael Jackson, simplesmente a música do clip que redefiniu toda história do videoclip, dirigido pelo saudoso John Landis e o primeiro a gastar U$ 1 milhão. A espevitada Jenna vai correndo para o meio da pista e, sozinha, com todo o carisma da atriz começa a contagiar um por um os presentes, começando por seu candidato a namorado, Mark Ruffallo. Aos poucos todo mundo estará dançando.

A cena é profética e sintomática do que sentimos quando Michael se foi: tudo às vezes muito chato, pretensioso e esquecendo-se do que é diversão - ainda mais, aliada ao talento. Apesar de uma estética, bem, digamos, kitsch, não podemos negar que os anos 80, a década perdida, foram anos bem divertidos.
A resposta sobre a enormidade do que foi a pasagem de Michael pela vida é, sim, é totalmente justificada. Para não me estender em detalhes recomendarei esse mais que excelente artigo da revista Bravo! Ou melhor, recomendo comprar a melhor publicação feita sobre o astro, a revista Bizz Especial. Eu mesmo me lembro de ter cantado e imitado seus passos em diversas manhãs de sábado assistindo ao Programa Barros de Alencar, ou em várias tardes com o Mr. Sam e Capivara no Realce da Gazeta ou ClipClip, da Globo. O filme é uma divertida sessão da Tarde, aquele tipo em que você assiste despretensiosamente, esquece no dia seguinte e relembra posteriormente. Pelo menos da cena escolhida.


DE REPENTE 30 (13 GOING ON 30, 2004)
Direção: Gary Winick
Elenco: Jennifer Gardner, Mark Ruffallo
Trilha Tradução

It's close to midnight
something evil's lurkin' in the dark
Under the moonlight
You see a sight that almost stops your heart
You try to scream
But terror takes the sound before you make it
You start to freeze
As horror looks you right between the eyes
You're paralyzed

'Cause this is thriller
Thriller night
And no one's gonna save you
From the beast about to strike
You know it's thriller
Thriller night
You're fighting for your life
Inside a killer
Thriller tonight, yeah

You hear the door slam
And realize there's nowhere left to run
You feel the cold hand
And wonder if you'll ever see the sun
You close your eyes
And hope that this is just imagination
Girl, but all the while
You hear a creature creepin' up behind
You're outta time

'Cause this is thriller
Thriller night
There ain't no second chance
Against the thing with the forty eyes, girl
(Thriller)
(Thriller night)
You're fighting for your life
Inside a killer
Thriller tonight

Night creatures call
And the dead start to walk in their masquerade
There's no escaping the jaws of the alien this time
(They're open wide)
This is the end of your life

They're out to get you
There's demons closing in on every side
They will possess you
Unless you change that number on your dial
Now is the time
For you and I to cuddle close together, yeah
All through the night
I'll save you from the terror on the screen
I'll make you see

That this is thriller
Thriller night
'Cause I can thrill you more
Than any ghost would ever dare try
(Thriller)
(Thriller night)
So let me hold you tight
And share a
(killer, diller, chiller)
(Thriller here tonight)

'Cause this is thriller
Thriller night
Girl, I can thrill you more
Than any ghost would ever dare try
(Thriller)
(Thriller night)
So let me hold you tight
And share a
(killer, thriller)

I'm gonna thrill you tonight

[Rap]
Darkness falls across the land
The midnight hour is close at hand
Creatures crawl in search of blood
To terrorize y'all's neighborhood
And whosoever shall be found
Without the soul for getting down
Must stand and face the hounds of hell
And rot inside a corpse's shell

I'm gonna thrill you tonight
(Thriller, thriller)
I'm gonna thrill you tonight
(Thriller night, thriller))
I'm gonna thrill you tonight
Ooh, babe, I'm gonna thrill you tonight
Thriller night, babe

[Rap]
The foulest stench is in the air
The funk of forty thousand years
And grizzly ghouls from every tomb
Are closing in to seal your doom
And though you fight to stay alive
Your body starts to shiver
for no mere mortal can resist
the evil of the thriller


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Promoção de lançamento do site!!!




Quem não gosta de cinema e de música? Agora imagine um blog que traz vídeos que contém apenas cenas de filmes onde a trilha sonora é o destaque. E tudo com tempero de cultura pop da boa?
Pois o Aquela música daquela cena chega agora à blogosfera trazendo aqueles momentos que tanto nos fascinam.
No site, além de um vídeo com a cena, há um texto com comentários, letra da música, tradução e um player para ouvi-la na íntegra.

E para comemorar esta chegada os internautas ganharão 5 ótimos DVDs originais que tem tudo a ver com música. Sente só: Forest Gump, Escola de rock, Cidade dos anjos, Os Goonies e mais um DVD surpresa!
Para concorrer basta cadastrar-se como seguidor no site http://aquelamusicadaquelacena.blogspot.com/ou no Twitter até 22/11/2009, pois no dia 22 de Novembro serão sorteados os 4 DVDs e mais um surpresa para o 100º seguidor! Então, não perca mais tempo! Cadastre-se e nos diga qual música toca naquele filme e que você gosta tanto!
# Informar nome
# Informar e-mail
# Informar Cidade e Estado

Regulamento:
1- Sorteio de 5 DVDs para os cadastrados como seguidores do Google Friend ou Twitter (@aquelamusica) até 22/11/2009 e solicitarem uma cena de filme que contenha uma música;
2- a música pode ser tocada integralmente ou não. Também pode ser incidental (de fundo) ou direta;
3- caso o número de seguidores chegue a 100 (se Deus quiser!), o 100º a se cadastrar (pela ordem de entrada, entre os cadastros do Google Friend e Twiter) e solicitar uma música receberá um DVD surpresa;
4- cada seguidor poderá solicitar uma música e receberá um número, por ordem de inscrição;
5- cada pessoa poderá se cadastrar uma única vez para a promoção; caso queira pedir outra(s) música(s) esteja à vontade;

6- parentes não poderão participar do sorteio;
7- os 4 DVDs serão sorteados por ordem alfabética de título: (Cidade..., Escola..., Forest..., Goonies);

8- cada participante que for sorteado não poderá mais participar NESTA promoção caso haja mais um DVD e seu número seja novamente sorteado;

9- o sorteio será feito através do site random.org;

10- o prêmio será enviado pelos Correios;
11- as despesas postais serão por conta do site.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

De volta para o futuro




"He's the only kid ever to get into trouble before he was born"

De todas as fantasias que conseguiram saltar das tradições oral e escrita para a tela do cinema, talvez a mais fantástica seja a de poder viajar pelo tempo. A ideia de retornar ao passado e (tentar) manipular a realidade em seu proveito ou saber que um cowboy do cinema pode ser o presidente dos EUA sempre foi tentadora demais para não ser filmada.

Curiosamente, o romance A máquina do tempo, de H.G. Wells, teve sua primeira edição lançada em 1895, mesmo ano em que os irmãos Lumière lançaram as bases da sétima arte. Se bem que o livro não fazia menção às possibilidades de alteração da realidade, apenas um vislumbre do futuro (sempre pessimista) da humanidade. Mas o que nos vem a memória em termos cinematográficos quando se trata de viagem no tempo é o trio de filmes que inicou-se com De volta para o fututo.

Para quem conhece a respeito do tema nas telas, apenas um herdeiro direto como Efeito Borboleta (2002) ou meu maravilhoso e fantástico filme predileto, vamos ao plot resumido: em 1985 Marty McFly é um adolescente looser de um subúrbio americano que juntamente com um cientista maluco - sempre eles -, consegue retornar 30 anos no passado em uma máquina do tempo irada e inesperada, um Delorean DMC-12. Ao se verem no passado nossos heróis deparam com o progresso que chegava à cidade, os pais de McFly ainda não se conheciam e ele era a grande novidade do pedaço. Quando se pensa em diversão deliciosamente bem feita é o tipo de filme que vem à mente. Ah, quase deixei passar: há jaquetas de couro, saias rodadas e rabos-de-cavalo, ou seja, o rock´n´roll surgia. Não apenas como estilo musical, mas como um modelo de comportamento que alterou a história do Ocidente.

A cena memorável em destaque acontece no baile "Encanto submarino", onde seus pais se beijaram pela primeira vez. Marty sobe ao palco e, aproveitando os compassos do blues e uma banda composta por negros (na verdade a banda de Chuck berry, Marvin Berry and the Starlighters), eletrifica a guitarra com o riff inesquecível de Johnny B. Goode. O novo ritmo traz uma injeção de adrenalina ao baile, com gingados, requebrados e movimentos reprimidos durante tanto tempo - até a chegada de Elvis. A certa altura o primo de Chuck no palco pega o telefone e liga para o próprio e diz: "Ei, Chuck, é seu primo, Marvin Berry. Sabe aquele som novo que você tava procurando? Ouve só!"
Para quem - realmente - conhece a história do rock, está tudo na cena. Ao final, Marty se empolga e delirantemente faz um solo que cresce a la Jimmi Hendrix, inclusive quebrando tudo. Depois diz que pode parecer estranho para eles, mas que seus filhos irão adorar um dia.

Chuck Berry gravou seu primeiro sucesso justamente em 1955, ano em que se passa a maior parte da ação do filme. Teve várias canções entre os top ten americano; teve seis canções incluídas nas 500 melhores da revista Rolling Stone. "Johnny B. Goode" é a número 7 e seu riff talvez seja o mais famoso da história do rock. Famoso e duradouro. Neste inverno de 2009 Chuck esteve dando suas palhetadas aqui em São Paulo do alto de seus 83 anos (!). Isso mesmo. Uma lenda viva do rock, uma cena memorável do cinema.

DE VOLTA PARA O FUTURO (Back to the future, 1985)
Diretor: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Loyd
Trilha Tradução

Deep down in Louisiana close the New Orleans
Way back up in the woods among the evergreens
There stood a log cabin made of earth and wood
Where lived a country boy named Johnny B Good
Who never ever learned to read or write so well
But he could play the guitar just like ringin a bell

Chorus:
Go, go, go jonny go go
go johnny go go
go johnny go go

go johnny go go
johnny be good

He used to carry his guitar in a gunny
sit beneath the tree by the railroad track
Oh an engineer could see him sitting in the shade
Strummin' to the rhythm that the drivers made
People passing by they'd stop and say
Oh my but that little country boy can play

Chorus
His mother told him some day you will be a man
And you will be the leader of a big old band
Many people coming from miles around
And hear you play your music till the sun goes down
Maybe someday your name gonna be in light
Sayin' Jonny be good tonight

Chorus



* postado atendendo ao pedido do seguidor Daniel Albino; obrigado.
 
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