"Being the adventures of a young man ... who couldn't resist pretty girls ... or a bit of the old ultra-violence ... went to jail, was re-conditioned ... and came out a different young man ... or was he?
O diretor Michael Haneke fez uma experiência interessante: filmou a mesma história sobre violência com um intervalo de 10 anos entre elas (1998-2008) para mensurar o impacto da violência nas gerações de duas décadas diferentes e subsequentes (Violência gratuita). Não sei os resultados práticos da experiência, apesar de ter gostado muito da angustiante segunda versão, mas quando se trata de violência cinematográfica o que nos vem à mente é Laranja mecânica. O filme do cultuado Stanley Kubrick (1928-1999), baseado no livro homônimo de Anthony Burgess, trata de um futuro distópico povoado de gangues ultraviolentas que cometem barbáries embaladas por goles e goles de moloko (sim, a banda moderninha se inspirou na bebida que parece/é leite). O começo do filme é arrebatador, com o outrora grande astro Michael McDowell (Calígua, A marca da pantera), personificando Alex DeLarge, líder de uma gangue que usa várias referências à várias outras reais nas vestimentas (o chapéu coco de uma, o suporte atlético de outra, coturnos). Alex gosta de arruaças, de estupros, e de espancar pessoas indefesas (um bêbado e um paraplégico) cantando "Singing in the rain", aquela mesma canção do filme homônimo de 1952 que é sinônimo da Era de Ouro do cinema, com a famosa cena de Genne Kelly, ahn, bem, cantando na chuva (motivo para um post clássico).
Kubrick é mestre em vincular a narrativa à uma trilha destoante, como a bela nona sinfonia, a predileta de Alex, que embala as noites de arruaça; sequências ultraviolentas (e belas!) ao som de Bethoven, como bem reparou Inácio Araújo. A obra tem um tom niilista e é na verdade um ensaio sobre a violência, como surge, de onde vem, para onde vai e o que a sociedade organizada acha dela. Para quem não assistiu, os erros de continuidade nas cenas são propositais, apenas para aumentar a desorientação sensorial do espectador.
A canção deste post entrou curiosamente nas cenas porque era a única que o protagonista sabia cantar inteira (!). Nos anos 70, assim que foi lançado nos cinemas as cenas de nudez do filme eram cobertas com bolinhas pretas ridículas que acompanhavam os movimentos dos corpos. O filme foi censurado em vários países que não perceberam sua intenção de discussão do tema e não de apologia. O autor do livro criou uma língua nova, uma mistura de inglês com russo e gírias para dar mais veracidade à preocupação que tinha com o crescimento da delinquência juvenil e paralelamente dos métodos behavioristas que disseminavam entre a comunidade médica como possível tratamento.
O livro teve a finalidade de expor vários tipos de violência (praticadas pelo cidadão ou pelo Estado) para se firmar como um libelo pelo livre-arbítrio. Além disso, o filme é um referencial básico da cultura pop: serviu de sinônimo ao futebol eficiente jogado pela seleção da Holanda de 1974 (que usava camisas laranja e tinha um futebol revolucionário); teve Bart Simpson vestido de Alex em um episódio e até virou boneco; virou um álbum conceitual do Sepultura (A-lex) etc. Para quem quiser ver a versão integral das barbaridades da turma desde o início; aqui.
LARANJA MECÂNICA (A clockwork orange, 1971) Diretor: Stanley Kubrick Elenco: Malcolm McDowell TrilhaTraduçãoTrailer
Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du Du
I´m singin´ in the rain Just singin´ in the rain, What a glorious feeling, And I´m happy again.
I´m laughing at clouds So dark, up above, The sun´s in my heart And I´m ready for love. Let the stormy clouds chase. Everyone from the place, Come on with the rain I have a smile on my face.
I´ll walk down the lane With a happy refrain Just singin', singin' in the rain. Dancing in the rain. I'm happy again. I'm singin' and dancin' in the rain. Dancin' and singin' in the rain.
"No one would take on his case... until one man was willing to take on the system"
Hoje é o Dia Mundial de Combate à AIDS. Esta doença, que apareceu em plena década de 1980, tornou-se emblemática mais pelo fato de seus portadores serem discriminados em pleno século XX do que por sua existência em si. Como todos sabemos os homossexuais foram considerados culpados por estarem doentes, pois a enfermidade seria uma praga divina que os puniria pelo tipo de vida não católica que levavam. Quando as primeiras mulheres casadas heterossexuais apareceram contaminadas por seus maridos, também heteros, a história começou a mudar.
Hollywood é um âmbito democrata, liberal e não ficou de fora da grita geral contra o descalabro das forças do mal; sim, isso mesmo, forças do mal. O tapa na cara veio não somente com um filme sobre o tema, mas com o Oscar para a interpretação de Tom Hanks que, imitando James Stewart, recebeu a primeira estatueta de duas estatuetas seguidas; no ano seguinte enfeitou sua estante com Forest Gump. O terceiro escapou de suas mãos quando foi indicado por Náufrago (2000). Uma canção do filme ganhou o Oscar, "Streets of Philadelphia", com Bruce Springsteen. Sinceramente quem conhece a trilha sabe que "Philadelphia", a composição homônima de Neil Young era bem melhor (eu, pelo menos, acho). Ah, ambas foram indicadas. Mas um prêmio para the boss reforçaria a intenção do filme. A trilha em um todo é muito boa.
No filme Tom Hanks é um advogado homossexual não assumido que, trabalhando em um escritório de advocacia mais do que conservador, tem sua vida revirada quando começa a sofrer os primeiros sintomas da doença. Como prêmio aos anos de dedicação é demitido e contrata o único advogado que encontrou para defendê-lo, Denzel Washington (como sempre não menos que perfeito). Este deveria desde o início saber o que é ser discriminado, mas é um homofóbico que precisa aceitar o caso devido à sua situação financeira.
A cena em destaque foi a utilizada na cerimônia de premiação, quando cada ator tem sua melhor cena mostrada para todos. É a cena em que Tom Hanks chora em seu apartamento ao som da soprano Maria Callas (1923-1977) enquanto ao fundo Denzel chora comovido com o sofrimento do personagem, abandonado no momento mais difícil de sua vida. O que o ótimo, mas bissexto diretor Jonathan Demme (Silêncio dos inocentes) queria era expor o drama dos portadores por meio da sétima arte perante o mundo conservador - representado no papel de Denzel. Realmente o momento é comovente.
Tom Hanks perdeu vários quilos para interpretar o papel. Geralmente filmes são feitos sem a sequência real das cenas, conforme a conveniência, mas o diretor preferiu acompanhar o "definhamento" do ator e seu envolvimento com o papel para dar mais veracidade e impacto. As músicas das cenas costumam ser inseridas apenas na edição final e não "tocadas" nas filmagens, mas esta cena foi uma exceção. O resultado é que esta é uma das mais queridas cenas de quem gosta de cinema. Basta dizer que em 1954, Maria Callas, em uma apresentação foi aplaudida 23 vezes e o final teve uma ovação de 23 minutos. A ópera não é o gênero mais fácil de assimilação, e esta foi outra barreira levemente rompida pelo filme. Este blog acha deplorável qualquer tipo de discriminação. E sabe que seus leitores também.
FILADÉLFIA (Philadelphia, 1993)
Diretor: Jonathan Demme Elenco: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas
La mamma morta m'hanno alla porta della stanza mia; Moriva e mi salvava! poi a notte alta io con Bersi errava,
quando ad un tratto un livido bagliore guizza e rischiara innanzi a' passi miei la cupa via! Guardo! Bruciava il loco di mia culla! Cosi fui sola! E intorno il nulla! Fame e miseria! Il bisogno, il periglio! Caddi malata, e Bersi, buona e pura, di sua bellezza ha fatto un mercato, un contratto per me! Porto sventura a chi bene mi vuole! Fu in quel dolore che a me venne l'amor! Voce piena d'armonia e dice: "Vivi ancora! Io son la vita! Ne' miei occhi e il tuo cielo! Tu non sei sola! Le lacrime tue io le raccolgo! Io sto sul tuo cammino e ti sorreggo! Sorridi e spera! Io son l'amore! Tutto intorno e sangue e fango? Io son divino! Io son l'oblio! Io sono il dio che sovra il mondo scendo da l'empireo, fa della terra un ciel! Ah! Io son l'amore, io son l'amor, l'amor" E l'angelo si accosta, bacia, e vi bacia la morte! Corpo di moribonda e il corpo mio. Prendilo dunque. Io son gia morta cosa!
"Can the most famous film star in the world fall for just an ordinary guy?"
Existem poucas garantias tão sérias na vida quanto a de que um filme britânico terá uma trilha sonora bacana. Se for uma comédia romântica bem feita como este "Notting Hill" então... A história gira em torno de um pacato dono de pequena livraria (Hugh Grant) que em sua vida comedida e tranquila nunca ouviu falar da estrela Anna Scott (Julia Roberts). Já esta fica surpresa por ao entrar na livraria disfarçada e encontrar (e flertar) com alguém que não faz idéia de quem é. Essa possibilidade cria toda uma fantasia a qual no desenrolar do filme trará algumas risadas e reviravoltas até o final feliz.
O mérito do filme, além da trilha e dos atores e coadjuvantes que estão confortáveis em cena, deve ser dividido também com o roteirista do filme, Richard Curtis. Provavelmente quem gosta de "Notting Hill" também vê com satisfação "Quatro casamentos e um funeral" que ele também escreveu e "Simplesmente amor", o qual dirigiu. Todos com Hugh Grant, um ator que apesar do revés que levou na vida, soube encontrar seu nicho e conduzir dignamente sua carreira.
Mas o que importa aqui é aquela cena daquela música, neste que é seu menor e mais simpático filme. Para quem não reparou, a história começa com "She", mas na interpretação magnífica da lenda viva francesa Charles Aznavour, (aqui, legendado). "She", na verdade é "Tous les visages de l'amour", a versão original francesa de Aznavour lançada em 1974 e que de tão famosa gerou, meses depois, a versão em inglês que tantas noivas adoram adentrar às igrejas no dia mais feliz de suas vidas.
Ao final do filme, quando os nós são desatados, quando Julia Roberts abre seu magnífico e zilionário sorriso da forma mais bonita e tranquila que já apareceu nas telas, sobe o BG com a versão que Elvis Costello para a música, regravada especialmente para o filme. Com certeza o músico foi escolhido devido à sua grande extensão vocal.
Quem viu o filme sabe que em um momento, quando passeavam à noite pelos subúrbios, o casal protagonista encontra uma casa linda, pulam o muro e ficam pensando como seria magnífico uma família morar naquele local. Na cena da música, claro, eles conseguem a casa. Enquanto a música entra em sua segunda parte, um longo travelling mostra todos os seus amigos, os filhos de seus amigos correm pelo gramado, cachorros pulando, brincadeiras sorrisos e... o casal, sentado no banco de jardim no qual haviam sonhado aquela realidade. Um final um pouco parecido com outro filme de Grant, "Um grande garoto", outro filme inglês baseado no livro do meu ídolo, Nick Hornby.
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UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill, 1999) Diretor: Roger Michell Elenco: Julia Roberts, Hugh Grant TrilhaTraduçãoTrailer
She May be the face I can't forget. A trace of pleasure or regret May be my treasure or the price I have to pay. She may be the song that summer sings. May be the chill that autumn brings. May be a hundred different things Within the measure of a day. She May be the beauty or the beast. May be the famine or the feast. May turn each day into a heaven or a hell. She may be the mirror of my dreams. A smile reflected in a stream She may not be what she may seem Inside her shell She who always seems so happy in a crowd. Whose eyes can be so private and so proud No one's allowed to see them when they cry. She may be the love that cannot hope to last May come to me from shadows of the past. That I'll remember till the day I die She May be the reason I survive The why and wherefore I'm alive The one I'll care for through the rough and ready years Me I'll take her laughter and her tears And make them all my souvenirs For where she goes I've got to be The meaning of my life is She, she, she
E os vencedores da Promoção de lançamento do site são:
CIDADE DOS ANJOS Evelyn Machado
ESCOLA DE ROCK Leticia Slemer
FOREST GUMP Roberta Cardoso da Costa Cirne
GOONIES, OS Erica Yumi
DVD SURPRESA @ticasa (100ª seguidora juntando-se os membros do Twitter
Obrigado a todos os que participaram deste começo comigo, colaborando com suas cenas prediletas. Aos poucos elas serão resenhadas como um banco de dados deste assunto fascinante e inesgotável. O site já ganhou um selo do VejaBlog e continua bem bacana e queremos que sua participação não se encerre por aqui. Participe com comentários ou mesmo sugestões que você acha péssimas (sim, não vou falar necessariamente bem).
"Be there for the joy. Be there for the tears. Be there for each other."
Hmmm. Eu pararia de ler por aqui se você você e nunca tivesse assistido a este filme. Dito isso, vamos lá: Chris Columbus é um diretor quadradão. Quando se pensa em "cinema de autor" é o típico nome que NÃO nos vem à memória. Para se ter uma idéia de sua filmografia, o pontapé inicial na cinessérie mundial Harry Potter foi dado por ele nos dois primeiros filmes, mas aposto que o seu preferido é o Prisioneiro de Askaban, justamente o primeiro filme feito após o bastão ser passado por Columbus. Com sucesso, claro, mas sem notoriedade.
Em 1998, no entanto, Columbus dirigiu este Lado a lado (Stepmom), drama em que Susan Sarandon descobre ser portadora de um câncer terminal e tem de "repassar" toda a sua vida (filhos, no caso) para a atual mulher de seu já "repassado" ex-marido (Julia Roberts e Ed Harris). Deu para entender o conflito pessoal da protagonista em seus últimos momentos? Poderia ser mais um daqueles filmes de "doença da semana", mas, principalmente o acerto na escolha do elenco (todos mesmo), torna tudo muito interessante.
A canção "Ain't No Mountain High Enough" aparece em mais de uma cena do filme. A comovente cena final, após a última frase do filme ("Agora uma foto com a família inteira... Isabel?) mostra um momento de alegria antes da tragédia que se abaterá. Mas este post é de quando a canção é entoada primeiramente, nesta cena, exatamente no momento em que a estupenda Sarandon tem uma conversa comovente com seus dois filhos sobre seus futuros às vésperas do Natal.
Para demonstrar a força que deverão ter quando partir, coloca um vinil (claro) de "Ain´t no mountain high enough". Vou dizer uma coisa: é dificílimo chegar até esta cena e não se emocionar. A notável atriz parece sente na pele o drama de sua personagem. As crianças também foram muito bem escolhidas para o papel (onde andariam?).
Quanto à música, basta dizer que é uma canção "pra cima", alto astral, pontuada inicialmente por um baixo (e xilofone?) emocionante e entoada majestosamente por Marvin Gaye e Tammi Terrell da melhor fase da mítica gravadora Motown. Observe, se nunca assistiu ao filme, como fica quase impossível assistir ao filme sem se colocar no lugar de um dos personagens (catártico; totalmente antibrechtiano) ou de repensar se as atitudes que tomamos seriam as mesmas caso tivéssemos um vislumbre do porvir. Para o bem ou para o mal. O filme foi feito como homenagem à mãe do diretor, que realmente faleceu da doença.
Lado a Lado (Stepmom, 1998) Direção: Chris Columbus Elenco: Susan Sarandon, Julia Roberts, Ed Harris TrilhaTradução
If you need me call me No matter where you are, No matter how far, don't worry baby Just call out my name I'll be there in a hurry You don´t need to worry
Chorus:
'Cause baby there Ain't no mountain high enough Ain't no valley low enough Ain't no river wide enough To keep me from getting to you, baby
Remember the day I set you free I told you could always count on me, darling From that day on I made a vow I'll be there when you want me Someway, somehow
Chorus:
'Cause baby there Ain't no mountain high enough Ain't no valley low enough Ain't no river wide enough To keep me from getting to you, baby
No wind, no rain Or winter's cold Can't stop me baby. Oooo baby 'Cause you are my goal If you're ever in trouble I'll be there on the double Just send for me, baby Send for me ooo baby
My love is alive Way down in my heart Although we are miles apart If you ever need a helping hand I'll be there on the double Just as fast as I can
Chorus:
Don't you know that They're ain't no mountain high enough, Ain't no valley low enough, Ain't no river wide enough, To keep me from getting to you babe Listen baby, you know that There ain´t no mountain high ,ain´t no valley low, Ain´t no river wide enough baby
"A story as fresh as the girls in their minis. . .and as tough as the kids from London's East End!"
Sabe aqueles filmes que você assiste em que um professor chega para lecionar em uma localidade barra pesada, é hostilizado e ao final consegue incutir valores mais positivos nos alunos? Pois é, esse subgênero dentro da sétima arte teve seu start principal com este fabuloso filme britânico Ao mestre com carinho. Só de mencionar o legado deste filme de 1967 nos vêm à cabeça, Mentes perigosas, com Michelle Pfeiffer, O sorriso de Monalisa, com Julia Roberts, O substituto, com Tom Berenger e um ótimo e desconhecido Treino para a vida, com Morgan Freeman no papel principal (imagina!).
Neste filme o eterno Sidney Poitier é um engenheiro desempregado que, para levantar seu sustento, começa a lecionar em uma escola da periferia de Londres. Lá ele encontra alunos nada dispostos a aprender qualquer coisa que seja. Mesmo prometendo não perder a paciência, chega uma hora em que não aguenta, rasga os livros e fala que irá prepará-los para a vida. Drogas, aborto, casamento e toda uma base extra-curricular. E a partir daí a coisa muda muito, como pode ser visto na homenagem que os alunos prestam ao mestre na cena final. Ou melhor, a cena anterior à grande decisão que tomará em sua vida.
O filme fez um tremendo sucesso no Reino Unido e também nos EUA. Quando pesquisado o motivo do grande sucesso feito nas terras do Tio Sam a resposta foi uma só: Sidney Poitier. O ator tinha tanta simpatia entre os norte-americanos que foi historicamente o primeiro ator negro a ganhar um Oscar como ator principal. Digo como principal, porque como coadjuvante Hattie McDaniell já havia ganho pela empregada de E o vento levou (1939). Ganhou mas não pôde comparecer à cerimônia pois tinha um "defeito" gigantesco. Era negra. Quando Poitier ganhou sua estatueta por Uma voz nas sombras (1963) parecia que muita coisa havia mudado para os negros, mas como comprovou-se nos Oscars posteriores para Denzel Washington e Halle Berry somente no século XXI, ainda falta muita coisa. Ah, só para lembrar, Morgan Freeman NUNCA foi considerado melhor ator principal em um filme.
Na cena em destaque o mestre recebe um presente dos alunos embalado pela canção To sir, with love, embalado pela voz doce da one hit wonder Lulu enquanto alguns alunos rebeldes tocam ao vivo. O single chegou ao primeiro lugar na parada da Billboard impulsionado pelo sucesso do filme. Também tem uma versão es-pe-ta-cu-lar com Natalie Merchant, ex vocal do 10.000 maniacs com Michael Stipe, do R.E.M, vale a pena ver. É uma balada doce com uma letra que louva as virtudes de quem tem por profissão ensinar. No filme, Poitier vira do avesso a máxima que diz que a vida é uma escola: quem já viveu muito já sabe: na escola você aprende e depois é posto à prova. Na vida você é posto à prova. Depois aprende.
AO MESTRE COM CARINHO (To sir with love, 1967) Direção: James Clavell Elenco: Sidney Poitier, Lulu, Christian Roberts TrilhaTraduçãoTrailer
Those schoolgirl days of telling tales and biting nails are gone. But in my mind I know they will still live on and on.
But how do you thank someone who has taken you from crayons to perfume? It isn't easy, but I'll try.
If you wanted the sky I would write across the sky in letters that would soar a thousand feet high, 'To Sir, With Love'.
The time has come for closing books and long last looks must end.
And as I leave I know that I am leaving my best friend. A friend who taught me right from wrong and weak from strong, that's a lot to learn.
What what can I give you in return?
If you wanted the moon I would try to make a start. But I would rather you let me give my heart To sir with love
Assisto a cerimônia do Oscar todo ano. Lembro-me que quando Tom Hanks ganhou o seu por Filadelfia, agradeceu a um antigo professor secundário que o auxiliou muito. Só que na hora disse abertamente que o mestre era homossexual. Normal. Mas daí pensei na hora: e se mais ninguém soubesse que ele era? Pois, por incrível que pareça, o diretor Frank Oz também pensou isso e resolveu fazer uma história em que um professor de uma cidadezinha teria de provar sua heterossexualidade depois da declaração desastrada de um aluno (o ator bissexto Matt Dilon). Para a empreitada chamou o então o ótimo Kevin Kline, Oscar de ator coadjuvante em 1988 por Um peixe chamado Wanda. O mais hilário é que o professor nunca havia se questionado. Até aquele momento.
Atormentado por dúvidas sexuais e torturado principalmente por sua noiva (Joan Cusak) o coitado faz de tudo para demonstrar que é a testosterona que manda na sua libido. E como toda pessoa que necessita de ajuda mas não vaia um analista, resolve comprar uma fita cassete (lembra-se?) de auto ajuda, claro. E é da cena em que um hilário instrutor conversa com o ator que falaremos. Depois de ensiná-lo a chegar como homem em um bar vem o teste final: como homem que é homem não dança (aka Nelson Rodrigues), nosso herói terá de ficar firme e forte ao som de I will survive, de Gloria Gainor. Mesmo o hetero mais ortodoxo sabe como é difícil não bater nem o pé quando entram todos os instrumentos da canção. Ou quando a música é selecionada em um videokê. Kevin Kline cai na balada e requebra a seu jeito para desespero do interlocutor da fita K7. E para o riso de quem vê a cena. A idéia do filme é ser um porta-voz divertido da tolerância de todo tipo. Isso em tempos de jovens como os da UNIBANdo de animais não é pouco. Mas se quiser apenas descontrair-se vamos dizer apenas que é uma excelente comédia com conteúdo.
A canção é uma daquelas que cresceu com o tempo. Foi lançada em 1978, em plena era disco, pela diva Glooria Gainor como b-side de um compacto em que o lado A era uma canção dos Righteous Brothers (cantores originais do tema de Ghost). Bom, a canção "Substitue" ficou em 107º na parada da Billboard. Já "I will..." chegou ao primeiro lugar com a colaboração de Djs do planeta inteiro que viam a pista ferver quando era tocada. A lista de filmes em que aparece é imensa: Priscila, a rainha do deserto,Homens de preto, Quatro casamentos e um funeral, Dr. Doolitle2 etc. Também é recordista de paródias, chegando a ter uma hilária versão em português.
Curiosidades: o elenco do filme canta "Macho man", outro hino gay ao final dos créditos. O eterno machão Tom Selleck, de Magnum tem um papel importante no filme. O Cake (melhor cover group do mundo) gravou em 1994 uma versão beeeeeem bacana que chegou a tocar no finado Hollywood Rock no Brasil com Flea, dos Chilli Peppers no trompete.
SERÁ QUE ELE É? (In&Out, 1997) Diretor: Frank Oz Elenco: Kevin Kline, Tom Selleck, Matt Dilon TrilhaTradução..mais
At first I was afraid I was petrified I kept thinking I could never live without you By my side But then I spent so many nights Just thinking how you've done me wrong I grew strong And I learned how to get along And so you're back
From other space I just walked in to find you Here with that sad look upon your face I should've changed my fucking lock I would've made you leave your key If I had known for just one second You'd be back to bother me Go, now go, Walk out the door Just turn around Now, you're not welcome anymore Weren't you the one Who tried to break me with desire? Did you think I'd crumble? Did you think I'd lay down and die? Oh no not I, I will survive Yeah As Long as I know how to love, I know I'll be alive I've got all my life to live I've got all my love to give I will survive, I will survive Yeah, yeah
It took all the strength I had Just not to fall apart I'm trying hard to mend the pieces Of my broken heart And I spent oh so many nights Just feeling sorry for myself I used to cry, But now I hold my head up high And you see me With somebody new I'm not that stupid little person Still in love with you And so you thought you'd just drop by And you expect me to be free But now I'm saving all my lovin' For someone who is lovin' me Go, now go, Walk out the door Just turn around Now, you're not welcome anymore Weren't you the one Who tried to break me with desire? Did you think I'd crumble? Did you think I'd lay down and die? Oh not I, I will survive Yeah As long as I know how to love, I know I'll be alive I've got all my life to live I've got all my love to give I will survive, I will survive Yeah, yeah Oh no
"For some, 13 feels like it was just yesterday. For Jenna, it was."
Talvez você tenha se perguntado nos dias próximos da morte de Michael Jackson se sua importância não estaria supervalorizada. Afinal de contas, talvez nem enxergue a importância do astro nos dias de hoje - mesmo gostando de, por exemplo, Justin Timberlake. Mas basta uma olhada na cena selecionada para relembrar e comprovar sua importância. A cena é do filme De repente 30, filme de 2004 que trata de um velho subgênero do cinema americano: a "troca" de corpos entre duas pessoas. Uma passada rápida pela memória e já nos vem à mente alguns filmes como Sexta-Feira muito louca, Vice e versa, 17 outra vez, ou a nova série da Sony, Drop Dead Diva. Sempre com a lição de moral de que sempre devemos nos conformar com o que somos e o que temos. No filme a adolescente Jenna Rink, de 13 anos, está cansada de sua rotina loser e gostaria de ser adulta, pois a maioridade é muuuito melhor. E consegue. Torna-se então milagrosamente uma adulta, personificada no corpo da gracinha Jennifer Gardner, atriz revelada no eletrizante seriado Alias, e casada com o sortudo boa-praça de Hollywood, Ben Aflleck. Na cena do filme, Jennifer está na festa de lançamento de uma revista (acho) e está rolando um som meio lounge bem entediante. E a festa é aquela coisa que conhecemos: poses, olhares blasè, muita pretensão e chatice. É quando Jenna decide colocar um som que estava ouvindo até ontem - no caso, "ontem" ela estava com 13 anos. O som é "Thriller", de Michael Jackson, simplesmente a música do clip que redefiniu toda história do videoclip, dirigido pelo saudoso John Landis e o primeiro a gastar U$ 1 milhão. A espevitada Jenna vai correndo para o meio da pista e, sozinha, com todo o carisma da atriz começa a contagiar um por um os presentes, começando por seu candidato a namorado, Mark Ruffallo. Aos poucos todo mundo estará dançando.
A cena é profética e sintomática do que sentimos quando Michael se foi: tudo às vezes muito chato, pretensioso e esquecendo-se do que é diversão - ainda mais, aliada ao talento. Apesar de uma estética, bem, digamos, kitsch, não podemos negar que os anos 80, a década perdida, foram anos bem divertidos. A resposta sobre a enormidade do que foi a pasagem de Michael pela vida é, sim, é totalmente justificada. Para não me estender em detalhes recomendarei esse mais que excelente artigo da revista Bravo! Ou melhor, recomendo comprar a melhor publicação feita sobre o astro, a revista Bizz Especial. Eu mesmo me lembro de ter cantado e imitado seus passos em diversas manhãs de sábado assistindo ao Programa Barros de Alencar, ou em várias tardes com o Mr. Sam e Capivara no Realce da Gazeta ou ClipClip, da Globo. O filme é uma divertida sessão da Tarde, aquele tipo em que você assiste despretensiosamente, esquece no dia seguinte e relembra posteriormente. Pelo menos da cena escolhida.
DE REPENTE 30 (13 GOING ON 30, 2004) Direção: Gary Winick Elenco: Jennifer Gardner, Mark Ruffallo TrilhaTradução
It's close to midnight something evil's lurkin' in the dark Under the moonlight You see a sight that almost stops your heart You try to scream But terror takes the sound before you make it You start to freeze As horror looks you right between the eyes You're paralyzed
'Cause this is thriller Thriller night And no one's gonna save you From the beast about to strike You know it's thriller Thriller night You're fighting for your life Inside a killer Thriller tonight, yeah
You hear the door slam And realize there's nowhere left to run You feel the cold hand And wonder if you'll ever see the sun You close your eyes And hope that this is just imagination Girl, but all the while You hear a creature creepin' up behind You're outta time
'Cause this is thriller Thriller night There ain't no second chance Against the thing with the forty eyes, girl (Thriller) (Thriller night) You're fighting for your life Inside a killer Thriller tonight
Night creatures call And the dead start to walk in their masquerade There's no escaping the jaws of the alien this time (They're open wide) This is the end of your life
They're out to get you There's demons closing in on every side They will possess you Unless you change that number on your dial Now is the time For you and I to cuddle close together, yeah All through the night I'll save you from the terror on the screen I'll make you see
That this is thriller Thriller night 'Cause I can thrill you more Than any ghost would ever dare try (Thriller) (Thriller night) So let me hold you tight And share a (killer, diller, chiller) (Thriller here tonight)
'Cause this is thriller Thriller night Girl, I can thrill you more Than any ghost would ever dare try (Thriller) (Thriller night) So let me hold you tight And share a (killer, thriller)
I'm gonna thrill you tonight
[Rap] Darkness falls across the land The midnight hour is close at hand Creatures crawl in search of blood To terrorize y'all's neighborhood And whosoever shall be found Without the soul for getting down Must stand and face the hounds of hell And rot inside a corpse's shell
I'm gonna thrill you tonight (Thriller, thriller) I'm gonna thrill you tonight (Thriller night, thriller)) I'm gonna thrill you tonight Ooh, babe, I'm gonna thrill you tonight Thriller night, babe
[Rap] The foulest stench is in the air The funk of forty thousand years And grizzly ghouls from every tomb Are closing in to seal your doom And though you fight to stay alive Your body starts to shiver for no mere mortal can resist the evil of the thriller
Quem não gosta de cinema e de música? Agora imagine um blog que traz vídeos que contém apenas cenas de filmes onde a trilha sonora é o destaque. E tudo com tempero de cultura pop da boa? Pois o Aquela música daquela cena chega agora à blogosfera trazendo aqueles momentos que tanto nos fascinam. No site, além de um vídeo com a cena, há um texto com comentários, letra da música, tradução e um player para ouvi-la na íntegra. E para comemorar esta chegada os internautas ganharão 5 ótimos DVDs originais que tem tudo a ver com música. Sente só: Forest Gump, Escola de rock, Cidade dos anjos, Os Gooniese mais um DVD surpresa! Para concorrer basta cadastrar-se como seguidor no site http://aquelamusicadaquelacena.blogspot.com/ou noTwitter até 22/11/2009, pois no dia 22 de Novembro serão sorteados os 4 DVDs e mais um surpresa para o 100º seguidor! Então, não perca mais tempo! Cadastre-se e nos diga qual música toca naquele filme e que você gosta tanto! # Informar nome # Informar e-mail # Informar Cidade e Estado
Regulamento: 1- Sorteio de 5 DVDs para os cadastrados como seguidores do Google Friend ou Twitter (@aquelamusica) até 22/11/2009 e solicitarem uma cena de filme que contenha uma música; 2- a música pode ser tocada integralmente ou não. Também pode ser incidental (de fundo) ou direta; 3- caso o número de seguidores chegue a 100 (se Deus quiser!), o 100º a se cadastrar (pela ordem de entrada, entre os cadastros do Google Friend e Twiter) e solicitar uma música receberá um DVD surpresa; 4- cada seguidor poderá solicitar uma música e receberá um número, por ordem de inscrição; 5- cada pessoa poderá se cadastrar uma única vez para a promoção; caso queira pedir outra(s) música(s) esteja à vontade;
6- parentes não poderão participar do sorteio; 7- os 4 DVDs serão sorteados por ordem alfabética de título: (Cidade..., Escola..., Forest..., Goonies);
8- cada participante que for sorteado não poderá mais participar NESTA promoção caso haja mais um DVD e seu número seja novamente sorteado;
9- o sorteio será feito através do site random.org;
10- o prêmio será enviado pelos Correios; 11- as despesas postais serão por conta do site.
"He's the only kid ever to get into trouble before he was born"
De todas as fantasias que conseguiram saltar das tradições oral e escrita para a tela do cinema, talvez a mais fantástica seja a de poder viajar pelo tempo. A ideia de retornar ao passado e (tentar) manipular a realidade em seu proveito ou saber que um cowboy do cinema pode ser o presidente dos EUA sempre foi tentadora demais para não ser filmada.
Curiosamente, o romance A máquina do tempo, de H.G. Wells, teve sua primeira edição lançada em 1895, mesmo ano em que os irmãos Lumière lançaram as bases da sétima arte. Se bem que o livro não fazia menção às possibilidades de alteração da realidade, apenas um vislumbre do futuro (sempre pessimista) da humanidade. Mas o que nos vem a memória em termos cinematográficos quando se trata de viagem no tempo é o trio de filmes que inicou-se com De volta para o fututo.
Para quem conhece a respeito do tema nas telas, apenas um herdeiro direto como Efeito Borboleta (2002) ou meu maravilhoso e fantástico filme predileto, vamos ao plot resumido: em 1985 Marty McFly é um adolescente looser de um subúrbio americano que juntamente com um cientista maluco - sempre eles -, consegue retornar 30 anos no passado em uma máquina do tempo irada e inesperada, um Delorean DMC-12. Ao se verem no passado nossos heróis deparam com o progresso que chegava à cidade, os pais de McFly ainda não se conheciam e ele era a grande novidade do pedaço. Quando se pensa em diversão deliciosamente bem feita é o tipo de filme que vem à mente. Ah, quase deixei passar: há jaquetas de couro, saias rodadas e rabos-de-cavalo, ou seja, o rock´n´roll surgia. Não apenas como estilo musical, mas como um modelo de comportamento que alterou a história do Ocidente.
A cena memorável em destaque acontece no baile "Encanto submarino", onde seus pais se beijaram pela primeira vez. Marty sobe ao palco e, aproveitando os compassos do blues e uma banda composta por negros (na verdade a banda de Chuck berry, Marvin Berry and the Starlighters), eletrifica a guitarra com o riff inesquecível de Johnny B. Goode. O novo ritmo traz uma injeção de adrenalina ao baile, com gingados, requebrados e movimentos reprimidos durante tanto tempo - até a chegada de Elvis. A certa altura o primo de Chuck no palco pega o telefone e liga para o próprio e diz: "Ei, Chuck, é seu primo, Marvin Berry. Sabe aquele som novo que você tava procurando? Ouve só!" Para quem - realmente - conhece a história do rock, está tudo na cena. Ao final, Marty se empolga e delirantemente faz um solo que cresce a la Jimmi Hendrix, inclusive quebrando tudo. Depois diz que pode parecer estranho para eles, mas que seus filhos irão adorar um dia.
Chuck Berry gravou seu primeiro sucesso justamente em 1955, ano em que se passa a maior parte da ação do filme. Teve várias canções entre os top ten americano; teve seis canções incluídas nas 500 melhores da revista Rolling Stone. "Johnny B. Goode" é a número 7 e seu riff talvez seja o mais famoso da história do rock. Famoso e duradouro. Neste inverno de 2009 Chuck esteve dando suas palhetadas aqui em São Paulo do alto de seus 83 anos (!). Isso mesmo. Uma lenda viva do rock, uma cena memorável do cinema.
DE VOLTA PARA O FUTURO (Back to the future, 1985) Diretor: Robert Zemeckis Elenco: Michael J. Fox, Christopher Loyd TrilhaTradução
Deep down in Louisiana close the New Orleans Way back up in the woods among the evergreens There stood a log cabin made of earth and wood Where lived a country boy named Johnny B Good Who never ever learned to read or write so well But he could play the guitar just like ringin a bell
Chorus: Go, go, go jonny go go go johnny go go go johnny go go
go johnny go go johnny be good
He used to carry his guitar in a gunny sit beneath the tree by the railroad track Oh an engineer could see him sitting in the shade Strummin' to the rhythm that the drivers made People passing by they'd stop and say Oh my but that little country boy can play
Chorus His mother told him some day you will be a man And you will be the leader of a big old band Many people coming from miles around And hear you play your music till the sun goes down Maybe someday your name gonna be in light Sayin' Jonny be good tonight
Chorus
* postado atendendo ao pedido do seguidor Daniel Albino; obrigado.